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A Mística e a Sensualidade do Seio de Maria

Em termos tão humanos quanto espirituais, o acontecimento do Natal está profundamente associado à maternidade, pois revela a carinhosa relação entre uma criança recém-nascida e sua mãe. Esta ligação, marcada por um misticismo que se faz carne, encontra sua representação mais objetiva num gesto de grande importância, mas absolutamente natural e comum, que é a amamentação.
No entanto, a grande maioria das cenas que refletem o espírito natalino não apresentam o menino Jesus sorvendo avidamente o leite diretamente de sua fonte sensual e sagrada, o seio de Maria, sendo preferíveis pelo imaginário católico e comercial as imagens mais familiares e moralmente aceitáveis, como a do presépio, quando não as árvores enfeitadas, os presentes e o Papai Noel.
Com certeza o pequeno Jesus não se alimentou através de uma mamadeira, mas sim sentindo o calor do peito de Maria em seus lábios e a doçura de seu leite em sua boca.

E os primeiros cristãos sabiam admirar com os olhos da alma este acontecimento tão espontâneo, enxergando nele, com a mais absoluta naturalidade, o significado humano e místico da amamentação.
Por causa desta atitude, nos primeiros séculos do Cristianismo a imagem de Maria amamentando o menino Jesus, chamada em latim de Madonna Lactans, era algo muito comum de ser encontrado.
Parece ser óbvio o suficiente que esta iconografia maternal tenha surgido através da arte copta do Egito, onde muitos séculos antes da era cristã já existiam em larga escala representações em pinturas e esculturas de uma personagem feminina cercada de mistério que amamenta seu filho, o herdeiro de um reino divino que fora encomendado especialmente para ser o salvador do mundo.
Nelas o menino Hórus, que em conjunto com seu pai Osíris representa um dos protótipos universais da figura de Jesus Cristo, é visto sendo amamentado por Ísis, sua mãe, a deusa da magia e antepassada mítica da Virgem Maria. Assim como muitos outros símbolos, este foi assumido pelo Cristianismo em seu papel de continuador, ao menos naqueles tempos, da tradição esotérica ocidental.
É interessante notar que a imagem mais antiga da Virgem Maria de que se tem conhecimento é um afresco do século III, localizado nas Catacumbas de Priscila, na Via Salaria em Roma, onde o menino Jesus é mostrado sugando o seio exposto de sua mãe divina. Os cristãos primitivos não se sentiam ofendidos pelo seio de Maria, e sabiam encontrar em meio à sensualidade o misticismo de seu gesto maternal.
Infelizmente, poucas imagens como esta sobreviveram até os dias atuais. Uma delas forma um belíssimo mosaico ostentado na fachada da Basílica de Nossa Senhora no Trastevere, localizada em Roma, onde teria sido celebrada a primeira Missa pública da história do Cristianismo. Ela disputa com a Basílica de Santa Maria Maggiore o título de primeira igreja construída em homenagem à Virgem Maria.
A imagem de Maria amamentando o menino Jesus era tão forte durante a Idade Média que as amas-de-leite, tão comuns entre as classes sociais mais altas daqueles tempos, eram vistas como representações da Virgem da Humildade, retratada por gênios da pintura como Bernardo Daddi, Giovanni di Paolo e Fra Angelico sempre vestida com roupas simples e sentada ao chão.
Mas esta imagem tão popular começou a cair em desuso na transição da Idade Média para a Idade Moderna, em virtude do advento da imprensa, do Protestantismo e do Concílio de Trento. Após este último, ocorrido na metade do século XV, as autoridades eclesiásticas passaram a desencorajar a presença de qualquer tipo de nudez em imagens religiosas, causando o lento desaparecimento da Madonna Lactans da iconografia católica.
Em paralelo a esta determinação institucional religiosa, a disseminação da imprensa ajudou a promover a desmistificação das formas do corpo pela medicina, que multiplicava o corpo e suas partes em inúmeros estudos gráficos destinados à produção de conhecimento científico. Mais recentemente, a imprensa também ajudou a banalizar o corpo e a impregnar sua imagem com uma sensualidade artificial.
E ainda a imprensa viria a colaborar com o desaparecimento da Madonna Lactans ao servir de instrumento de proliferação da Bíblia, algo que, em conjunto com o surgimento do Protestantismo, que causou a diminuição do uso de imagens e das práticas devocionais católicas relacionadas à Virgem Maria, transformou definitivamente as escrituras no centro da religiosidade cristã.
Todos estes fatores culturais, religiosos e tecnológicos fizeram com que até mesmo os católicos considerassem a imagem do seio feminino como algo impróprio para ser ostentado no interior de uma Igreja. E enquanto a imagem da amamentação de Jesus foi parcialmente censurada, fazendo da natividade uma cena familiar moralmente aceitável, o sacrifício de Jesus na cruz se tornou definitivamente o ícone do Cristianismo.
Por mais que as circunstâncias descritas acima tenham obliterado a sensualidade do seio de Maria, e com ela o seu misticismo, o esoterismo mantém viva esta representação da maternidade como elemento de acesso ao conhecimento gnóstico, oculto e secreto, pois não haverá o praticante das ciências ocultas de esbarrar em jogos dogmáticos e na distorção da natureza sagrada da sexualidade humana.
O seio é para o gnóstico, assim como para o menino Jesus, uma fonte de alimento erótico e espiritual imprescindível para o seu crescimento e desenvolvimento interior. O menino Jesus somente foi capaz de se tornar o vigoroso líder que desafiou a estagnação de sua tradição graças ao leite que verteu de maneira frondosa e abundante do seio de sua mãe.
Da mesma forma, para todo aquele que é capaz de respeitar a feminilidade e reconhecer seu caráter sagrado, a mulher amada, que é sempre uma mãe em potencial e que encarna os mais excitantes e divinos atributos da Virgem Maria, a Deusa do Cristianismo, oferecerá livremente seu seio como fonte permanente de uma força capaz de alimentar o erotismo que permitirá o nascimento místico do Cristo Interior.
Este nascimento foi, é e sempre será o objetivo central da prática gnóstica, mesmo que esta receba outros nomes mais adaptados a diferentes linguagens. Maria, pura e santa, a deusa que habita o coração do homem e também seu leito, está sempre disposta a oferecer seu ventre e seu seio para que o Cristo possa ser concebido, para que nasça, cresça e cumpra a missão de ser o elo de ligação com a divindade.
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Mitologia e Guerra nas Estrelas: a Jornada do Herói

Ela começa como uma simples narrativa da luta do bem contra o mal, mas acaba se convertendo num dos maiores fenômenos culturais de todos os tempos. Composta por seis capítulos que a formam em um autêntico épico universal, Guerra nas Estrelas se transformou numa saga que narra um dos temas mais relevantes presentes em toda literatura, mitologia e tradições religiosas mundiais.
Muito semelhante à uma escritura sagrada dos dias atuais, a obra cinematográfica de George Lucas atualizou os antigos arquétipos presentes nas obras simbólicas das mais importantes tradições antigas e apresentou velhos mitos repaginados para as novas gerações. Não há dúvida que o filme rompeu os limites da comunicação da mensagem universal presente nos grandes clássicos da antiguidade.
Ainda na década de 1970, Guerra nas Estrelas inaugura o fenômeno da criação do mito moderno, exibido nas grandes telas do cinema e carregado de sons, imagens e efeitos especiais.

Naquela época, a sociedade passava por difíceis e profundas transformações sociais e políticas, e o indivíduo experimentava uma crise de identidade, uma vez que os antigos valores haviam sido virados de cabeça para baixo.
O ciclo de Guerra nas Estrelas reapresenta de maneira impactante o cerne mitológico que compreende a existência do bem e do mal, bem como a missão de um herói que é levado à enfrentar este mal e vencê-lo.
Os mitos sempre foram ferramentas de grande importância para que o ser humano pudesse compreender o funcionamento do universo, e não apenas o grande universo que se manifesta em seu exterior, mas também do seu próprio universo interior.
Por isso, um de seus temas centrais é a jornada do herói, presente em todos os seis filmes de Guerra nas Estrelas. A conexão entre a saga da família Skywalker e a mitologia começa com o famoso historiador e mitólogo Joseph Campbell, o autor do livro O Herói de Mil Faces, que foi usado por George Lucas na construção de sua obra.
De acordo com Campbell, o mito é uma metáfora para a experiência da vida. Ele teve seu trabalho influenciado por Carl Gustav Jung, o psicólogo suíço que deu origem à Psicologia Analítica e às teorias dos arquétipos do inconsciente. George Lucas estudou a obra de Campbell e acabou usando em seus filmes a temática da Jornada do Herói, uma das formas mitológicas apresentadas em O Herói de Mil Faces.
Esta jornada é o fundamento da maioria dos grandes mitos presentes em todas as civilizações, e consiste numa caminhada iniciática que leva o personagem principal à uma transformação onde uma identidade adolescente que antecede a vida sexual é trocada por outra, a identidade adulta já familiarizada com a sexualidade e os demais desafios apresentados pela existência humana.
Ao longo de Guerra nas Estrelas, a Jornada do Herói é percorrida por dois personagens, Anakin Skywalker e seu filho Luke Skywalker. Os dois recebem um chamado para a aventura, e nenhum deles espera ser um herói. Os dois são atraídas para a luta entre o bem e o mal, e então precisam decidir de qual lado irão ficar. A jornada de Anakin acaba se tornando uma tragédia, quando ele é levado pelo medo e pela ambição à se juntar ao lado negro da Força, enquanto a jornada de Luke se converte em uma busca pela redenção de seu pai.
No início, Luke é uma pessoa comum, que vive uma vida tranquila e aborrecedora. Ele é inocente e inseguro, assim como os heróis de outras mitologias, antigos como o rei Arthur ou mais modernos, como Dorothy Gale, de o Mágico de Oz, ou mesmo o pequeno mago Harry Potter. Estes personagens provocam a simpatia dos espectadores, pois compartilham das mesmas inseguranças e dos mesmos medos de todo ser humano.
Mas logo o herói é convocado para uma aventura quando um dos robôs comprados por seu tio reproduz a mensagem de uma princesa pedindo socorro. Esta convocação tira Luke do conforto e de perto daquilo que lhe é familiar. Ao procurar Obi-Wan Kenobi ele se dirige para o desconhecido e o desafiador, e o conhecimento de vida que possuía até então já não será mais suficiente.
Logo o velho Ben o convida para seguir viagem com ele até Alderaan, e assim ingressar definitivamente na luta do bem contra o mal. Luke hesita, da mesma forma como o grego Ulisses ou o hebreu Moisés não desejavam encarar aquilo que parecia ser muito maior do que eles próprios. Mas a vida o arrasta para a jornada, e quando seus tios são assassinados perlas forças imperiais, ele decide seguir em frente.
Para chegar à Alderaan, é preciso encontrar transporte em Mos Eisley, que Obi-Wan descreve como sendo “uma colmeia miserável de escória e vilania.” Na cantina de Mos Eisley, um lugar bizarro e perigoso, Luke enfrenta a etapa da Travessia do Umbral, o momento em que todo herói, à maneira da pequena Dorothy, sente que não está mais no Kansas.
Depois de realizar esta travessia, Luke começa a enfrentar uma série de desafios para provar seu valor. Todo herói mitológico cumpre este requisito, e podemos ver como Hércules realiza seus doze trabalhos, ou como o salvador gnóstico Neo, do filme Matrix, segue as instruções de Morpheus para se livrar dos Agentes, ou os Arcontes dos Aeons da mitologia gnóstica.
Luke enfrenta as tropas imperiais ainda no porto de Mos Eisley, quando embarca na lendária Milleniun Falcon com Han Solo e Chewbacca. Em seguida ele resgata a princesa, ajuda a destruir a Estrela da Morte, enfrenta o Império da batalha de Hoth, na qual é parcialmente derrota mas consegue se reerguer, e resgata Han Solo e seus amigos ao derrotar o poderoso Jabba.
Contudo, seu maior desafio ainda está por vir, e será revelado quando encontrar seu próprio pai. A luta entre pai e filho é um tema fundamental da Jornada do Herói, e pode ser encontrado em vários mitos gregos. O próprio Zeus só chegou a ser o pai dos deuses quando derrotou Cronos, seu pai, quem por sua vez havia chegado ao poder depois de derrotar Urano, seu pai.
A temática do conflito entre Luke e seu pai, Darth Vader, pode ser encontrado também na Bíblia, onde existe a noção de que os erros cometidos pelo pai são transmitidos para os filhos e as gerações seguintes. Há sempre uma marca deixada pelos antepassados e o herói não pode simplesmente escapar de seus efeitos.
Em uma batalha contada no quinto filme da série, o Ataque dos Clones, o pai de Luke é ferido por um golpe de sabre de luz do Conde Dooku. Seu braço é arrancado e uma prótese é colocada em seu lugar. Anakin, já convertido em Darth Vader, transmite sua cicatriz para seu filho, arrancando a mão de Luke quando os dois duelam na Cidade das Nuvens acima de Bespin, lar de Lando Calrissian.
A maldição é transmitida definitivamente logo após a mão ser arrancada pelo sabre de luz vermelha de Darth Vader, quando este conta à Luke que é seu pai. Neste momento Luke se dá conta que faz parte de uma família e pode decidir não perpetuar os erros de seu pai. Este é o ponto central em torno do qual giram os demais elementos mitológicos de Guerra nas Estrelas.
Todo drama mitológico narra uma grande batalha, na qual o herói recebe uma grande ferida. Esta será determinante ao longo de toda a sua jornada. Ela é a marca da maturidade do personagem central, que aprendeu sobre as dificuldades da vida adulta. Suas dores são grandes, mas maior ainda é a sabedoria que ela oferece ao herói, quem sempre se recordará dela nem que seja em sua própria carne.
Leia mais aqui: Sociedade Gnóstica

A Transmutação Mental

"A Mente (tão bem como os metais e os elementos) pode ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de condição em condição, de polo em polo, de vibração em vibração. “A verdadeira transmutação hermética é uma Arte Mental.” − O CAIBALION.


Como dissemos, os Hermetistas eram os antigos alquimistas, astrólogos e psicologistas, tendo sido Hermes o fundador destas escolas de pensamento. Da astrologia nasceu a moderna astronomia; da alquimia nasceu a moderna química; da psicologia mística nasceu a moderna psicologia das escolas. Mas não se pode supor que os antigos ignoravam aquilo que as escolas modernas pretendem ser sua propriedade exclusiva e especial. As memóriasgravadas nas pedras do Antigo Egito mostram claramente que os antigos tinham um grande conhecimento de astronomia, a verdadeira construção das
Pirâmides representando a relação entre o seu desenho e o estudo da ciência astronômica. Não ignoravam a Química, porque os fragmentos dos antigos escritos mostram que eles conheciam as propriedades químicas das coisas; com efeito, as antigas teorias relativas à física vão sendo vagarosamente verificadas pelas últimas descobertas da ciência moderna, principalmente as que se referem à constituição da matéria.

Não se deve crer que eles ignoravam as chamadas descobertas modernas em psicologia; pelo contrário, os egípcios eram especialmente versados na ciência da Psicologia, particularmente nos ramos que as modernas escolas ignoram; que, não obstante, têm sido encobertos sob o nome de ciência psíquica, que a confusão dos psicólogos da atualidade, fazendo−lhes com repugnância admitir que afinal pode haver alguma coisa nela.

A verdade é que, sob a química material, a astronomia e a psicologia (que é a psicologia na sua fase de ação do pensamento), os antigos possuíam um conhecimento da astronomia transcendente, chamada astrologia; da química transcendente, chamada alquimia; da psicologia transcendente chamada psicologia mística. Possuíam o Conhecimento Interno como o Conhecimento Externo, sendo o último o único possuído pelos cientistas modernos.

Entre os muitos ramos secretos de conhecimento possuídos pelos Hermetistas estava o conhecido sob o nome de Transmutação Mental .


Fonte: Arsenal Gnóstico
O Grimório do Mago


Os rituais secretos


Os rituais modernos, mesmo aqueles celebrados por seitas ou ordens iniciáticas antigas, têm todos a mesma origem, a mítica e submersa Atlântida.
Os sacerdotes atlantes foram os primeiros que deram a esses rituais uma consistência de cerimonial, criando e sistematizando os procedimentos e as rotinas que abriam e fechavam essas celebrações místicas. 

Os rituais são cerimônias que buscam criar um ambiente mágico, uma espécie de realidade paralela, com a intenção de provocar uma alteração no nível de consciência psíquica dos iniciados.
Essas Ordens místicas, as antigas e as modernas, praticam um cerimonial para a admissão dos seus membros, conhecido como iniciação. Daí porque são chamados de iniciados, todos os membros que passaram por esse processo de aceitação como membros da Ordem. 
O termo iniciação tem o seu sentido simbólico como uma busca interior, um mergulho no fundo da alma, de onde o iniciado volta com um outro nível de consciência. Há algumas divergências quanto ao significado exato do termo, mas o de ação para dentro de si, parece-me o mais sensato para expressar o processo de morte e renascimento, como ele também é conhecido.


Após um período de preparação, os postulantes eram recebidos no salão secreto do templo, onde aconteciam os rituais, e tinham de se submeter a diversas provas, antes de serem aceitos na Ordem.
Fechemos os olhos, por alguns instantes, e viajemos no tempo, para alguns milhares de anos atrás. E ao abrirmos os olhos, perceberemos que estamos num salão semi-iluminado por velas e archotes, onde um grupo de pessoas, vestindo paramentos brancos, recitam e repetem mantras, criando uma expectativa tensa, nos momentos que antecedem a chegada de mais um membro da Ordem, recém aprovado nos ritos secretos.
Ouve-se bater na porta do templo que permanece fechada. A argola de ferro, presa à porta, ao ser investida contra o batente de ferro, provoca uma forte ressonância dentro do templo, causando um efeito instantâneo no ambiente, silenciando as vozes e criando um clima de expectativa. O Grão-Mestre pergunta quem bate à porta, ouvindo-se a voz do Guardião do Portal anunciar a chegada do postulante e solicitando autorização para introduzi-lo no templo.

O Grão-Mestre ergue a voz e concede a autorização pedida. 
O templo está enfumaçado e sob o efeito de ervas aromáticas, dando uma sensação estranha e intimidadora, a quem nunca dantes houvera presenciado ambiente semelhante. O Grão-Mestre conduz o processo iniciático, sob o poder de Melquizedec, que preside o ritual. A presença de Melquizedec revela que o iniciado já é um espírito evoluído, que, noutras vidas, passou por 3 processos iniciáticos, e que agora está sendo introduzido à sua quarta iniciação.
Esse iniciado pode ser qualquer um de nós, já que estamos reproduzindo em nossas mentes os fatos testemunhados num passado distante, como se lá estivéssemos presentes.
Passemos, a seguir, a nos sentirmos já como membros dessa Ordem Atlante, após termos sido admitidos num ritual presidido por Melquizedec. Anos depois dessa iniciação, ousemos imaginar que galgamos todos os graus intermediários da hierarquia da Ordem, e atingimos o grau máximo de poder, o de Grão Mestre.


Cabe-nos, agora, presidir um ritual sagrado, um cerimonial secreto, que haverá de reunir poder em torno dos participantes, a ser empregado para a evolução da humanidade. O ritual está prestes a começar. Todos devem estar trajando seus paramentos, que são as vestimentas sagradas para uso em rituais.
O Sacerdote acende as velas e os archotes, iluminando o templo e iniciando o cerimonial de abertura do ritual. O Guardião do Portal assume o seu lugar na entrada do templo, portando com firmeza a sua lança flamejante, que impedirá a entrada no ambiente, de todas as energias estranhas e malignas. Deste momento em diante, ninguém entra no templo sem a supervisão do Guardião e a autorização do Grão Mestre. Os cavaleiros e as sacerdotisas começam a entrar no templo, vão até junto ao altar, fazem suas saudações e ocupam seus lugares. Os mantras começam a ser ouvidos e os cantos suaves e harmônicos ajudam a purificar o ambiente e preparar os espíritos para o início do ritual.
A Zeladora do Fogo entra com a Pira, sauda o altar, a coluna da Luz e a coluna do Fogo, e depois faz a saudação às 4 direções. O Sacerdote faz, então, a abertura do ritual, recitando o mantra de saudação à Divindade e mentalizando o ícone sagrado da Ordem. As cortinas do altar são abertas e canta-se o grande mantra de exaltação ao Poder Divino, ao mesmo tempo em que o Grão Mestre adentra o templo, e todos o saúdam.


Faz-se silêncio absoluto, os olhares convergem para o altar, onde o Grão Mestre saúda os Planos Superiores, dirige uma exaltação de Poder ao Eterno, o Altíssimo, Deus Único e Verdadeiro.
A exortação do Grão Mestre tem início, conclamando a todos para concentrar suas energias em torno da Taça do Poder Cósmico, que estará pousada sobre o altar, e que reunirá todas as energias necessárias para as transformações pretendidas pelo ritual. O Grão Mestre prega o amor e a bondade, como as únicas formas de se reunir a necessária força energética de transformação. O Grão Mestre, inspirado por seus Mentores Espirituais, faz revelações e passa ensinamentos que estão fora da esfera do conhecimento humano. Uma derradeira saudação dirigida aos cavaleiros e sacerdotisas é o sinal de que o ritual está chegando ao fim. 

O Grão Mestre se despede, é saudado por todos e se retira do templo. Todos repetem o mantra de fechamento, enquanto o Sacerdote cobre a Santa Taça do Poder Cósmico e fecha as cortinas do altar. 

A Zeladora do Fogo retira-se, sendo saudada por todos. Um a um, todos os participantes vão retirando-se, não sem antes saudar o altar. O Sacerdote e o Guardião do Portal são os últimos a sair, apagando-se as velhas e os archotes e trancando-se a porta do templo. 


O ritual acabou. A Atlântida vai ficando para trás, as imagens vão-se dispersando e as lembranças , se apagando. Já não somos mais o Grão Mestre, mas certamente não deixamos de ser o mestre que fomos. 

Estamos de volta ao nosso tempo, sem os paramentos sagrados, sem os objetos ritualísticos, mas trazendo dentro de cada um de nós todas as conquistas iniciáticas de outras vidas. De repente, percebemos que não somos quem somos, mas que estamos quem somos. 
Despertamos de um sonho, que parece a única e absoluta realidade, para viver uma realidade, que mais parece um sonho, e, muitas vezes, um pesadelo. Dentro de cada um de nós, ressoa uma mensagem que nos liga aos rituais antigos, que nos transporta no espaço e no tempo, e que nos conecta com mundos ocultos e planos superiores, nos quais habitam nossos espíritos, enquanto nossas almas tentam convencer nossas personalidades a cumprir suas missões.
Mistérios, muitos mistérios, para essas nossas mentes ingênuas e iludidas, que não são capazes de crer nesses mistérios, que são as verdades absolutas, para acreditar no óbvio, que são as falsas verdades, fabricadas por nossos olhos físicos, que só vêem o que é denso e matéria.

Eros e Thánatos



Na mitologia grega fomos buscar inspiração. Então, descobrimos Eros, o deus do amor e da sensualidade; também Thánatos, o deus da morte e de tudo que lhe diz respeito.

Eros nos ensina a amar, a cultivar amizades autênticas, a apreciar as artes, as ciências, e tudo de bom e belo que existe no mundo. Ele nos dá a energia necessária para sentir-nos motivados, cheios de entusiasmo e alegria, para conduzir a vida com sentido, e contribuir com nossa parcela de talento para o progresso da humanidade.

Por sua vez, Thánatos nos atrai para a morte. Ele extrai do nosso ser toda energia, toda vitalidade. Vivemos nossa existência sem propósito, sentimo-nos apáticos, carentes de motivação. Não achamos graça em nada. Tudo é fastio, tristeza, insatisfação, constrangimento. Experimentamos uma existência de cor cinza, vendo os dias e as noites passarem, sentindo o final inevitável se aproximar.

Eros nos convida a festas, para dançar, encontrar pessoas alegres, beber um bom vinho, saborear gostosas comidas. E, depois, quem sabe, em companhia de alguém muito especial, passar o resto da noite, com muito amor, sensualidade e aconchego.

Thánatos nos induz à solidão e à tristeza. Por que motivo haveríamos de sair de casa, ir ao cinema, ao teatro, ou a um jogo de futebol? Para ele, nada disso faz sentido. Em sua ótica, é preferível permanecer impassível, remoendo ressentimentos ou preocupando-se com o futuro, suas vicissitudes, ou a provável chegada da morte, a qualquer momento.

Eros estimula-nos a encontrar os amigos, a desfrutar seus talentos, a compartilhar a vida, em toda sua plenitude. Ele incentiva-nos a buscar o prazer, a alegria, a felicidade. Proporciona-nos a inspiração para compor versos, escrever contos ou romances, cantar alegres melodias, ou tocar algum instrumento musical.

A quem devemos procurar? Eros? Thánatos? Cada um de nós, de acordo com a própria inclinação, saberá decidir, com livre arbítrio. De minha parte, devo contar sempre com a prazerosa companhia de Eros, o deus do amor, da sensualidade, da alegria, do prazer, da felicidade.

Do livro: "A Arte de Viver"
Ramiro Sápiras 
Enviado por Ramiro Sápiras em 03/01/2006
Reeditado em 03/01/2006
Código do texto: T93847Beau Geste